17 de janeiro de 2018

OUTRA NATUREZA


Nei Duclós

 Você é de outra natureza
Talvez a verdadeira
E a minha, não tenho certeza
É a falsa ou algo falta nela

Esse é o motivo da estranheza
Quando distribuis o que nos pertencia
Com a mesma entonação, a mesma harmonia
Como se eu fosse o que jamais tiveste

Mas eu entendo. Tua selva encobre a lua
Enquanto eu subo até o topo da montanha

La vislumbro o Éden, que foi nossa riqueza
E hoje está em ruínas mas não te convences

Ficaste estranha
Avessa ao barro e ao sopro imortal
que já me deste






É DE LUA



 Nei Duclós

 É de lua
Bate na janela
Quando está a perigo

Eu atendo
Nunca aprendo
A ser esquecido

INDIFERENÇA


 Nei Duclós

Tua indiferença não cansa?
Sempre a mesma, repetida.
Podias variar, rocha fria

Imaginas que estás bem em teu novo ambiente
Mas lembre das inundações, do teu barco à deriva
Quero ver esses bonecos que fingem salvar vidas

Sou o único cais, náufraga arisca
Teu braço afunda, mas o amor flutua

GUARDEI O RECORTE



Nei Duclós

Guardas o recorte, dobrado em zelo
Que nenhuma mudança foi capaz de dispersar
Já não lês mais o que está dito
Em letras que o tempo registrou

É apenas um recado: Eu te espero
Amor que a vida me levou

15 de janeiro de 2018

RECADOS DE VENENO



Nei Duclós

Teu coração de pedra se arrepende
E manda recados de veneno
Achas besteira o sentimento
Que por descuido pousou em teu peito

É perverso o poema que usas para tripudiar
Sobre o imenso amor que foi-se para sempre


OUTRA NATUREZA



Nei Duclós

Você é de outra natureza
Talvez a verdadeira
E a minha, não tenho certeza
É a falsa ou algo falta nela

Esse é o motivo da estranheza
Quando distribuis o que nos pertencia
Com a mesma entonação, a mesma harmonia
Como se eu fosse o que jamais tiveste

Mas eu entendo. Tua selva encobre a lua
Enquanto eu subo até o topo da montanha

La vislumbro o Éden, que foi nossa riqueza
E hoje está em ruínas mas não te convences

Ficaste estranha
Avessa ao barro e ao sopro imortal
que já me deste


12 de janeiro de 2018

O GRITO DO PILOTO



Nei Duclós

O motor parou de funcionar
e o teco teco ficou imóvel no ar
Com as hélices agônicas rateando bem acima de mim
de olhos pregados na tarde do quintal

Ouvi então o grito de socorro do piloto
É impossível dessa distância!, disseram
Muito alto para a voz chegar até o chão!

Acharam que era mentira, claro
mas eu senti o pânico
do cara que me sobrevoava
Eu era sua unica testemunha
Pois o rádio tinha falhado
E ele iria cair em cima do verão indiferente

O momento ficou sem solução para sempre
Socorro, gritou o piloto
Ou seria um vozerio qualquer da vizinhança
Que eu confundi com meu terror solidário
De nada poder fazer naquela tarde
Em que descobri o mundo de mãos amarradas
Diante de uma tragédia?


FECHA O TEMPO



Nei Duclós

Por que estou cercado de silêncio?
Talvez seja assim
quando fecha o tempo
E tudo entra para o balanço

Ou então apenas o preparo do amanhecer
concentrado em si mesmo


ISCA



Nei Duclós

Fiquei um tempo em frente a um quadro
O que me ligava era o momento, não a obra

Se eu saisse dali
perderia o vínculo

Por isso voltava
A pintura era a isca
para o sentimento