6 de junho de 2009

ZÉ GOMES: MORRE O GÊNIO


Essa foi demais. Soube por Juarez Fonseca. Um enfarte matou Zé Gomes, o gênio. O compositor e arranjador que mudou a música brasileira e é autor de uma longa obra. Zé Gomes me acolheu, generoso, e musicou dois poemas meus, canções já postadas aqui e que podem também ser vistas no you tube. O que dizer? Morremos todos os dias e perdemos os melhores, os grandes criadores que amargam o anonimato neste país sem lei. No escasso noticiário da mídia sobre o assunto, foi divulgada na pequena biografia que reproduzo a seguir:

"Será cremado em São Paulo, onde vivia, o corpo do compositor, arranjador, luthier, maestro e pesquisador gaúcho José Kruel Gomes, internacionalmente conhecido como Zé Gomes, que faleceu na manhã do dia 5 de junho de 2009, vítima de infarto, aos 72 anos.

Zé Gomes começou a tocar profissionalmente aos 14 anos. Natural de Ijuí, aos 17 muda-se com a família para Porto Alegre e ingressa no Movimento Tradicionalista, com o grupo ?Tropeiros da Tradição?, com Paixão Cortes. A formação serviria de modelo a todos os conjuntos que os sucederam.

No início da década de 1950, integrou o conjunto ?Os Gaudérios?. Aos 18 anos, viaja com o conjunto à França, para participar do Festival Internacional de Folclore promovido pela Universidade Sorbonne, e volta ao Brasil com o primeiro prêmio.

Em 1955 trabalhou com João Gilberto, juntamente com Luis Bonfá, compositor da música do filme Orfeu no Carnaval, que já tinha elementos da Bossa Nova.

Em 1958 criou o Curso de Violão José Gomes, no qual ensinou mais de 1.500 alunos em uma década de funcionamento, época em que freqüentemente palestrava em seminários culturais ou integrava a OSPA.

Em 1966, Zé Gomes funda, com Bruno Kieffer e Armando Albuquerque, o Seminário Livre de Música (Selim), que dois anos depois vira o Centro Livre de Cultura. Em 1969, por concurso público, torna-se professor na Escola de Artes da UFRGS.

De 1968 a 1971 participa, como arranjador, de vários festivais. Muda-se para São Paulo no início dos anos 70, onde, além de continuar lecionando, compõe músicas para teatro, trilhas para cinema, fábulas infantis, quartetos, trios e duos instrumentais, corais, peças para viola e rabeca (instrumento que mais tarde viria a construir), e música sacra.

Zé Gomes participou de mais de 200 gravações, com Chico Buarque, Heraldo do Monte, Arthur Moreira Lima, Diana Pequeno, Grupo Tarancon, Renato Teixeira, Elomar, Pena Branca e Chavantinho, Paulino Pedra Azul, Marluí Miranda, Alzira Spíndola, João do Valle, entre muitos outros. Ultimamente, gravava discos independentes com suas prórpias composições.

É considerado um dos maiores intérpretes de Villa-Lobos, cuja obra estudou profundamente. Dedicou-se ao estudo da rabeca e da viola de cocho.

Com os parceiros Almir Sater e Paulo Simões, viajou a cavalo mais de mil quilômetros pelo Pantanal, para fazer um filme sobre o homem pantaneiro e pesquisar a música da região.

Criou inúmeros projetos de artesanato e fabricação de instrumentos musicais, tais como rabeca acústica, chorongo ou baixo acústico, calimba cromática, violino mudo.

A última vez que se apresentou em Porto Alegre foi ao violino, acompanhando Almir Sater no Projeto Acorde Brasil, do Sesc, em 2007."

RETORNO - Mais Zé Gomes aqui. Juarez Fonseca escreve sobre o maestro aqui.

2 comentários:

  1. Meu vô... que saudades das tardes de Xadrez.... bela matéria e homenagem..

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    1. Inesquecível mestre Zé Gomes.

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